7º CineDocumenta – 2010

 

AQUI O CINEMA BRASILEIRO FALA

O fato de ser uma mostra no interior do Brasil e de contar com recursos modestíssimos não impediram que a 7ª Cinedocumenta fosse uma demonstração clara de que o Cinema Brasileiro continua pulsante. A despeito de uma indústria planetária e de um mercado de audiovisual cada vez mais injusto e perverso, a mostra de Ipatinga revelou que há diversos sinais de vida no Cinema Nacional. É notório que há uma movimentação estética capaz de produzir diversidade de linguagem. Em vários festivais, essa riqueza é trocada pela moeda do sucesso como se tudo que se faz em artes tivesse que ter multidões de expectadores. O que seria dos gênios como Fernando Pessoa e Van Gogh se tal lógica prevalecesse na época em que produziram suas obras? A Cinedocumenta não só se pautou em mostrar um panorama do documentário no país hoje, como também reuniu as mais diversas possibilidades desse gênero em nossas terras. Outra sinalização de destaque foi o respeito aos filmes. Os realizadores reiteravam o elogio às projeções que superaram em muitas exibições de festivais dos grandes centros. Uma manifestação de respeito ao realizador independente de sua fama ou de seu suporte tecnológico de gravação. Dignidade para os cineastas, diversidade para o público. Além dessas duas extraordinárias dádivas, a Cinedocumenta brilhou como uma centelha de esperança para um dos maiores problemas da sétima arte no Brasil. As mordaças mercadológicas, a apatia gerada pelo glamour das grandes produções vem tirando do Cinema Brasileiro sua principal característica: o diálogo fecundo e aberto. Aqui, entre os abismos e montanhas de Minas, berço da conspiração e da liberdade, cineastas consagrados como Luiz Carlos Lacerda e novatas como Milena Sá puderam falar sem vírgulas ou reticências. Joel Pizzini desabafou: “nos grandes centros não podemos mais criticar abertamente os filmes sem constrangimentos como era feito nos anos 60”. As películas falam, mas os artistas estão mudos. Longe do mar e da metrópole, Ipatinga parece estar mais próxima do Brasil que deseja um Cinema Brasileiro. Pelo simples fato de poder usar a fala.