6º CineDocumenta – 2009

 

As origens da arte cinematográfica se confundem com o ímpeto científico e explorador do século XIX. Quanto mais insinuante se mostrava o interesse dos pesquisadores europeus pela cultura exótica dos povos africanos, latinos e asiáticos, mais útil parecia a fantástica máquina que recriava com sombra, luz e movimento, a vida dessas civilizações desconhecidas. É desse modo que ciência e antropologia travam sua relação inicial. O cinematógrafo, é claro, surge para o antropólogo como a extensão do seu caderno de anotações, uma espécie de diário de campo filmado. Entretanto, a apropriação meramente instrumental da linguagem audiovisual no universo científico jamais deu conta de explicar essa imbricação. Esses dois universos, simbioses da arte e da pesquisa, tinham muito mais a intercambiar do que meras trocas de favores utilitários. Vladimir Carvalho é um dos precursores do cinema documentário no Brasil. “Este cineasta e jornalista conviveu com artistas como Caetano Veloso, Glauber Rocha e Torquato Neto, e trabalhou com Eduardo Coutinho e Arnaldo Jabor. Por estas e outras razões o escolhemos para ser o homenageado da 6ª Cinedocumenta. Em 2009 Vladimir retorna a Ipatinga para nos propiciar uma boa conversa após e sessão de O Evangelho Segundo Teotônio. Nossa iniciativa justifica-se pelo ineditismo de oferecer, ao público de uma região afastada dos grandes centros, a possibilidade de assistir filmes de Jean Rouch. A Mostra Cinedocumenta projetará a obra desse cineasta francês a estudantes de 1º, 2º e 3º graus e ao público em geral do Vale do Aço, no intuito de popularizar o cinema de arte e fomentar o debate entre realizadores locais, nacionais e internacionais. A data do evento também tem um significado especial. 13 de maio, dia da abertura da 6ª Cinedocumenta é também dia da Abolição da Escravatura. Sobre a égide dessa problemática, o debate do Cinema X Antropologia vai perpassar pelo território da discussão de um dos assuntos mais centrais da brasilidade, ou seja, a herança e a dívida social que os trezentos anos de escravidão deixaram para a sociedade brasileira. Temos o desejo de que as artes também signifiquem a máxima expressão da palavra LIBERDADE.